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A Maria Rita

A Maria Rita

Sab | 21.07.18

Sobre a minha operação à escoliose

Ana Vieira

escoliose

 

O post de hoje é bastante diferente do que costumo publicar por aqui normalmente. No entanto, decidi fazê-lo porque acho que a falta de informação pode levar a consequências menos positivas na nossa vida.

 

Para quem não sabe, no meu 10º ano, fui submetida a uma cirurgia à coluna porque sofria de escoliose. Assim, dito por palavras muito grosseiras, a minha coluna estava torta e, no meu caso, fazia um S. 

 

Quando ainda andava no 9º ano, a minha mãe tinha um colega cuja filha ia ser operada pela mesma situação e, um dia, chegou a casa e, por curiosidade, pediu para ver as minhas costas. Foi assim que, por coincidência, notou que as tinha tortas. 

A partir daí fui a um médico em Barcelos que confirmou e que me indicou para o Porto. Quando fui à minha primeira consulta, foi-me dito que já tinha completado o crescimento e, por isso, teria mesmo que ser operada. Isto porque há casos diferentes de escoliose e diferentes tratamentos mas não sou médica pelo que o meu conselho é obviamente observarem as costas e se notarem alguma coisa, dirigirem-se a um médico.

 

Como referi, disseram-me que teria que ser operada e que a cirurgia tinha uma percentagem de 2% ou 1% (já não me lembro ao certo) de poder ficar paraplégica. Algo que uma pessoa pode pensar pouco mas que, na verdade, não é. E se nós formos aquele 1%? No entanto, as complicações de ter a coluna torta no futuro iriam aparecer e as dores iam piorar. Assim, decidi pela cirurgia.

 

Em Fevereiro, chegou o dia. Acho que só aí me caiu a ficha. O pós operatório de uma operação à coluna é muito complicado e mesmo que vos descreva por palavras, nunca vão chegar para vos fazer entender o que senti. Já se passaram cerca de 6 anos e ainda me lembro exatamente de como senti a coluna naquele momento. Antes de ser operada já me tinham explicado que era "como se estivesse a aprender a andar novamente". Mas claro que eu não me lembrava de como era aprender a andar. E eu acho que foi ainda pior do que isso. No segundo dia após a operação somos obrigados a levantar e é uma experiência que uma pessoa nunca mais esquece.  Era como se tivesse um peso enorme nas costas e tudo estava super preso. Como se a coluna estivesse numa caixa super apertada e pesada. 

 

O mês seguinte também não é nada fácil. Todo passado na cama e, se hoje em dia há todo um mundo de smartphones, na altura passei só o mês mais aborrecido da minha vida. Mas pronto, basicamente o mês seguinte é passado na cama e pouco tempo aguentamos em pé. Só depois é que tudo começa a ficar mais próximo do normal, quando também começamos a fazer natação para começar a mexer os músculos. Hoje em dia não me arrependo nada de ter sido operada à coluna. Tenho uma cicatriz que percorre as costas do início ao fim mas mal me lembro e faz parte, não a considero como um defeito mas como uma marca daquilo que passei e que só quem passa é que percebe. E acredito que hajam cirurgias piores mas esta certamente que não está no top das mais fáceis. 

 

O post de hoje foi sobretudo para chamar a atenção para este problema e para, de certa forma, alertar-vos a analisarem as vossas costas/dos vossos filhos porque há muita gente com este problema que nem se apercebe.

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